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Mãe assina certidão de óbito de filha viva e menina se torna 'invisível' para o Estado

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Sara*, 11 anos, sabe de cor os nomes dos remédios que precisa tomar quando fica gripada. Se a virose vier acompanhada de febre, a menina também sabe o que fazer. “Me jogo no chuveiro rápido para não dar tempo da convulsão chegar”, conta. Por precaução, ela coloca os remédios de alergia ao lado na cama onde dorme com mais duas irmãs, em uma casa simples na cidade de Candeias, Região Metropolitana de Salvador.

Mas, por que Sara, aos 11 anos, dá uma de médica? Simples. Ela não pode ser atendida por um. Não pode ir ao médico, não pode matricular-se em uma escola, não pode receber benefício do governo. Sara é de carne e osso, mas se tornou "invisível" para o Estado. Está oficialmente morta desde 2009, quando seu tio, não identificado pela reportagem do CORREIO, usou o documento para fazer a certidão de óbito da própria filha, de mesma idade e com nome semelhante. A mãe, por sua vez, assinou o documento que atestava a morte da filha.

Com a certidão de nascimento inválida, Sara não tem sequer um registro de identidade e, por isso, não consegue ter acesso a direitos básicos, como educação, saúde, moradia, além de programas sociais. Como ela, havia em 2015 mais de 92 mil pessoas na Bahia sem registro. Agora, Sara precisa fazer uma cirurgia nos olhos, mas está impedida.

 

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